28/03/2012

Chuva de outono

Me sinto recuada. Queria poder dar um passo à diante. Não devo, pois o tempo está virado. Até poderia, entretanto, talvez não me fizesse bem.
Não sei muito bem como está lá fora agora. Mas vi ao raiar o dia um raio solar bem de mansinho. Vi na arvore ali do lado, algumas folhas penduradas, meio amareladas. Mas eram belas folhas de outono.
Vi também crianças brincando na rua. Rolando uma bola de um lado à outro sem fazer muito barulho. E gargalhadas gostosas daqueles seres feitos de pureza. Como crianças são transparentes!
Me sinto recuada, mas não um recuo por medo ou falta de vontade de progredir em alguma coisa. Estou apenas parada, sentada em meu sofá cinzento e velho, escrevendo algumas palavras. A sensação de recuo é apenas por estar com vontade de sair e dar uma volta na rua. Ver algumas pessoas passando, e falando sobre coisas que eu não iria entender. Mas está frio e chovendo lá fora. Vou ficar aqui. Assim, aproveito e escrevo.

                                                                               Moa Loppez

26/03/2012

Eterno aprendiz

Ouço ao longe um barulho suspeito,
não sei ao certo se era para escutar.
Talvez se eu tapasse os ouvidos,
conseguiria outro alguém encontrar.
Não sei mais que dia é hoje,
nem ao certo se eu sabia antes.
Pois agora estou meio perdida,
acho mesmo é que não sei quem sou.
Ontem eu era alguém feliz.
Hoje estou feliz, um eterno aprendiz.
Ouço ao longe ecoar o silêncio,
o barulho suspeito eram meus pensamentos.

                                                                    Moa Loppez

14/03/2012

Coração tranquilo

Ela veio aqui. Conheceu meu canto, me radiou o seu encanto.
Ela viajou por muitas horas para chegar aqui. Conversou comigo durante o passeio cansativo para ganhar o meu abraço. Chegou aqui e o ganhou à primeira vista. E se arrependeu.
Se arrependeu de olhar em meus olhos como tanto queria. De segurar às minhas mãos e de caminhar ao meu lado.
Se arrependeu de deitar em meu colo. De ouvir minha música rolar sem ter rabiscado algum retorno. Arrependeu-se de dormir ao meu lado e de me deixar vê-la sonhando.
Se arrependeu de ter vivido comigo na noite tão esperada e de ter me amado sem hora marcada. De fazer comigo o som do nosso amor.
Se arrependeu de sentir minha pele, de sentir meu suspiro e minha respiração. De cruzar nossos corações batendo e fazer nosso ritmo.
Se arrependeu de ter sido bem tratada. De ser minha namorada e de ter conhecido o meu mundo. Arrependeu-se de sorrir sem motivos óbvios. De ter sido feliz como há muito tempo não era. Arrependeu-se do caminho percorrido e aguardado por nós há tanto tempo. Quilômetros rodados por vontade própria, e agora jogando em minha o peso de uma culpa sismada.
Arrependeu-se de beijar minha boca e de passar às mãos em meu cabelo. De ter conhecido meu esconderijo à beira mar. De ter fotografado nossos momentos enquanto o mar tocava sua pele. Nesse momento havia se abaixado para desenhar na areia um coração. E dentro dele nossos nomes gravados. Beleza simples mostrando tamanho amor por mim, em um momento mágico. Mas também se arrependeu.
Se arrependeu por ter conhecido minha verdade, meu cortejo e meu sorriso. Minhas piadas sem graça fazendo o riso tomar conta dela. Se arrependeu de ter me conhecido.
Se arrependeu de ter me amado completamente à cada segundo. E de ter sido amada, desde o começo do dia até o fim da madrugada. Se arrependeu de sentir.
Eu me perdi por ter te mostrado tudo e cada detalhe de mim. Perdi por ter sido sincera e transparente por completo. Perdi por ter acreditado em nós e no que dizia sentir por mim. Perdi ao ter acordado ao seu lado sentindo seu cheiro e de ter me apaixonado à cada dia mais. Perdi por ter deixado você vir me conhecer. Perdi por ter desde o começo sentido essa vontade. Perdi mais uma vez o solo e o caminho de volta. Por ter mais uma vez acreditado em tudo por te amar. Mas não me arrependo de nenhum segundo dado a você. Não me arrependo do amor sentido, nem de ter te conhecido.
Mesmo com tantas perdas ganhei uma coisa simples e com um enorme poder. Ganhei a cabeça livre ao deita- la ao travesseiro. Pois de todas as minhas verdades a maior foi dada a você. Dei à você todo o melhor de mim, o que meu coração pediu para te dar enquanto esteve aqui. Dei a você dias felizes mesmo que não consiga admitir. Dei a você o que pude dar. Fui verdadeira, honesta e transparente. Ganhei o coração tranquilo. E isso, ninguém pode me dar. Isso ninguém tira de mim.


                                                                                 Moa Loppez