01/11/2012

Criar


   Acho que estou crescendo, amadurecendo. Depois de alguns anos vividos.
Não sei bem como eu era antes disso, mas agora mesmo com os problemas revirando minha cabeça não desisto. Corro riscos, insisto.
  Retorno ao ponto de partida se for preciso. Recomeço, crio, invento e reinvento quantas vezes forem necessárias. Perco a cabeça às vezes.
  Acho que estou crescendo e ao mesmo tempo voltando a ser criança. Isso é possível?
Se me disseres que não, não me importo. Gosto disso. Da felicidade incontrolável por ver bolinhas de sabão sobrevoarem o jardim.
  Tenho uma lista imaginária de coisas à serem feitas. Reescrevo-as por dia. Em primeiro lugar ser feliz. Em segundo, sorrir muito. Em terceiro, ser feliz novamente. No número quatro: Fazer tudo que eu puder para nunca perder a alegria.
  Voltei a ser criança, não quero ter de ir trabalhar. Voltei a ter vinte e três anos, estou indo ao trabalho.

12/04/2012

Meu melhor amigo

Ele tem os olhos dourados. Um jeito elegante ao andar.
É brincalhão e ama fazer charmes. Me conhece e sabe se estou triste sem ao menos ter que perguntar.
Tem um olhar doce e sereno. O olhar mais puro e forte que conheço.
Passa uma firmeza quando olha em meus olhos. É como se estivesse dizendo: '' Fique bem, eu estou aqui para ouvir-te''. Mas ele não fala, só me olha.
Ele ama me acordar. Sobe em minha cama pulando e fazendo brincadeiras. Tão feliz que quase ouço suas gargalhadas. Vira e pucha minha coberta de um lado à outro até ter a certeza que acordei. Depois me da um carinho e sai quietinho. Como se não tivesse feito nada demais. É o que mais demonstra um amor singelo e fiel ao acordar-me.
Por não falar, tudo o que ele quer me pede com os olhos e atitudes que mostrem o que quer. É tão inteligente que surpreende o tempo todo. Mesmo morando comigo há três anos e alguns meses.
Ama passear. Faz tanta festa quando o levo para dar voltas no bairro em que moro. Mas é acanhado e não confia em homens que cheguem perto dele. Rapidamente se encolhe e procura meu colo para se esconder. Mas se for mulher ele gosta e faz graça. Conquista qualquer um com toda doçura que tem e demonstra.
É fiel, amigo, filho, irmão. É tudo e ao mesmo tempo. É o mais confiante e um enorme pedacinho de ser existente. Pedacinho pois é ainda muito novinho e enorme por ser tão maravilhoso e cheio de qualidades incríveis.
Amo sentir seu coração à bater enquanto brincamos e ele desastrado sempre machuca um pouquinho por ser tão grande. É meio atrapalhado e às vezes bate com a cabeça em alguns lugares querendo brincar.
O amo tanto que tenho medo de como ficarei quando chegar o momento de nos despedirmos. Mas não quero pensar nisso.
Agora ele está escondido e lindo deitado embaixo aos degraus da escada. Ele é meu tudo, meu melhor amigo. Meu companheiro Billy. Meu cão e o mais lindo do mundo.

                                                                                          Moa Loppez

03/04/2012

Até amanhã

Gosto de acender um cigarro quando estou indo para o banho. Acho interessante a maneira como o vapor do banho se mistura à fumaça do cigarro.
Não lavo a cabeça enquanto o cigarro não acaba. Na verdade só ligo o chuveiro e deixo a água cair em cima de mim. E durante isso vou fumando, só começo a tomar mesmo o banho quando acaba o cigarro.
Quando acabo meu momento complicado de entender qual o prazer tem, começo o banho, lavando primeiro às mãos, e enfim, todo o resto.
Gosto de cantar enquanto estou me arrumando. Ando de um lado para o outro procurando algumas coisas, essas, que quase sempre nem estou precisando. Mas gosto de andar feito doida enquanto me arrumo e canto.
Quando estou pronta acendo um novo cigarro, pego meu violão e o afino enquanto fumo. Em seguida coloco o cigarro no cinzeiro e começo a tocar qualquer canção de momento. E deixo meu cigarro ali sendo queimado enquanto toco algo para inspirar-me.
Após terminar a canção e o cigarro levanto-me indo para o ponto de ônibus, para finalmente ir para onde deveria estar há um grande período de tempo. Não sou nada pontual. Mas logo chego ao meu destino.
Quando chego onde deveria e nesse lugar há alguém à minha espera, chego meio de mansinho e coço os olhos. Como uma mulher disse certa vez: '' Coça os olhos por ser tímida''. Agora entendo um pouco melhor minha leve gagueira quando devo falar algo importante à alguém e a ansiedade para falar e o nervosismo me deixam um ponto sem equilíbrio, me fazendo assim, por pouco não agarrar a fala em certas palavras. Para despistar esse momento sem controle paro o que estava falando por dois segundos e ao voltar faço alguma coisa engraçada para descontrair o ambiente. Geralmente da certo.
Quando volto para casa me preparo para deitar em minha cama e ficar ali escrevendo alguma coisa até o sono chegar. Quando chega, me deito. Gosto de deitar de bruços para dormir, mas antes de o sono tomar mesmo conta de mim, rolo de um lado à outro na cama. Sempre durmo sem perceber. Na verdade não me mexo tanto por estar esperando o sono dominar meu corpo, mexo muito pois a hiperatividade toma conta de mim até para dormir. O que importa é conseguir dormir.
Durmo apenas oito horas de sono. Ao bater esse horário acordo sem precisar colocar despertadores para trabalhar. Ao acordar, começa mais um longo dia para gastar minhas energias. Enfim, não sei porque comecei a dizer tudo isso. Acho que era apenas para gastar o fim de energia. O sono chegou, boa noite à todos. Até amanhã.

                                                                                         Moa Loppez

28/03/2012

Chuva de outono

Me sinto recuada. Queria poder dar um passo à diante. Não devo, pois o tempo está virado. Até poderia, entretanto, talvez não me fizesse bem.
Não sei muito bem como está lá fora agora. Mas vi ao raiar o dia um raio solar bem de mansinho. Vi na arvore ali do lado, algumas folhas penduradas, meio amareladas. Mas eram belas folhas de outono.
Vi também crianças brincando na rua. Rolando uma bola de um lado à outro sem fazer muito barulho. E gargalhadas gostosas daqueles seres feitos de pureza. Como crianças são transparentes!
Me sinto recuada, mas não um recuo por medo ou falta de vontade de progredir em alguma coisa. Estou apenas parada, sentada em meu sofá cinzento e velho, escrevendo algumas palavras. A sensação de recuo é apenas por estar com vontade de sair e dar uma volta na rua. Ver algumas pessoas passando, e falando sobre coisas que eu não iria entender. Mas está frio e chovendo lá fora. Vou ficar aqui. Assim, aproveito e escrevo.

                                                                               Moa Loppez

26/03/2012

Eterno aprendiz

Ouço ao longe um barulho suspeito,
não sei ao certo se era para escutar.
Talvez se eu tapasse os ouvidos,
conseguiria outro alguém encontrar.
Não sei mais que dia é hoje,
nem ao certo se eu sabia antes.
Pois agora estou meio perdida,
acho mesmo é que não sei quem sou.
Ontem eu era alguém feliz.
Hoje estou feliz, um eterno aprendiz.
Ouço ao longe ecoar o silêncio,
o barulho suspeito eram meus pensamentos.

                                                                    Moa Loppez